Quando passas por mim na rua, pego no elástico preto, puxo-o para baixo, abano a cabeça, provocando um enorme movimento dos caracóis. Tu reparas logo. Sorridente, passas-me um contagiante sorriso; soltas a tua voz, dizes 'olá Maria'. Com a vergonha sempre ao pé, nem coragem tive de pronunciar o teu nome, respondi 'olá'. Um olá um pouco, diferente. Foi um olá tímido, cheio de doçura, cheio de amor, cheio de vergonha.
De repente, perguntas se estou boa; e num acto de coragem respondi, 'estou melhor agora. Tu estás comigo, sinto-me bem; sinto-me protegida. E tu, estás bom?' Respondeste de imediato, 'estou bastante bem, obrigada'.
Esqueci-me de levar um casaco, e o frio cada vez me dominava mais; não sei o que me deu. E disse-te, 'tenho frio; és capaz de me aguentar o frio? dás-me o teu casaco?' Não respondeste. Em forma de cobardia, baixei a cabeça, engoli a seco, todas as palavras que disse. Aclamas-te o meu nome, 'Maria, toma. Por ti, passo todo o frio do mundo.'. Não reagi. Fiquei estática, sem reacção.
Como estava cheia de frio, não aguentei mais. Peguei casaco dele; as nossas mãos tocaram-se. Parecia que o mundo tinha parado. Naquele momento, só te queria a ti e nunca mais queria deixar a tua mão; só tinha uma certeza; a certeza absoluta de que te amava.
O nosso momento acabou, porque o teu telefone tocou; era a tua mãe, estava a caminho para te ir buscar.
Despediste-te de mim com um beijo na bochecha, não reagi da melhor forma; corei. Foste embora, mas prometes-te voltar.
Atei o cabelo, cheirei o casaco e, disse, «amo-te».
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